Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012

O CHÁ - A segunda bebida mais consumida do mundo

A HIstória Do CHÁ

 

 

A segunda bebida mais consumida no mundo depois da água, o chá tem uma história deliciosa que começou na China há mais de cinco mil anos e que proliferou para os quatro cantos do mundo, onde continua a ser, ainda hoje, muito apreciado. Sabia que os britânicos, talvez os maiores fãs desta infusão, têm de agradecer a uma portuguesa a introdução do chá no seu país?!

 

UM ACASO QUE DEU CHÁ

Reza a história que no ano 2737 a.C., o imperador chinês Shen Nung e a sua corte estariam a fazer uma pausa durante uma viagem e, enquanto esperavam que os criados fervessem água para beber (o imperador era muito higiénico!), algumas folhas de um arbusto terão caído dentro da mesma, produzindo um líquido acastanhado. O imperador, que também era cientista, ficou com a curiosidade aguçada e resolveu experimentar a bebida, que classificou como muito refrescante. Assim nasceu o chá, que rapidamente conquistou os habitantes desse país, deixando muitas provas históricas: escavações arqueológicas encontraram recepientes de chá nos túmulos da dinastia Han (206 a.C.–220 d.C.), no entanto, foi durante a dinastia Tang (618-906 d.C.) que o chá tornou-se na bebida oficial da China. Atingiu uma popularidade tal, que durante o século VIII foi escrito o primeiro livro inteiramente dedicado a esta bebida – o “Ch'a Ching”, da autoria de Lu Yu.

 

O JAPÃO TAMBÉM ADERIU

À medida que o chá se tornava cada vez mais parte integrante da cultura religiosa, passou a ser difundido para além das fronteiras chinesas. Foi o que aconteceu no Japão, que foi apresentado a esta bebida fumegante graças a alguns monges budistas japoneses que, depois de terem estado na China a estudar, tiveram a oportunidade de observar a importância que o chá tinha na meditação religiosa, para não falar do seu agradável sabor! Mas foi graças aos seus contornos religiosos que a bebida foi rapidamente aceite no Japão, não só nas cortes reais, mas em todos os quadrantes da sociedade japonesa. Neste país, porém, o chá passou a ser muito mais do que uma simples bebida aconchegante, atingindo mesmo o estatuto de uma forma de arte, com direito a cerimónia própria (o "Cha-no-yu")! Foram construídos edifícios específicos para albergar esta cerimónia (onde o objectivo era preparar e servir o chá da forma mais perfeita, mais graciosa e mais charmosa possível), um ritual que demorava anos a aprender e a aperfeiçoar. Esta arte – praticada inclusive pelas célebres gueishas – tornou-se tão popular que chegaram-se a realizar torneios com prémios aliciantes (desde jóias e seda a armaduras e espadas)! No século XIV, e depois de tanta euforia, os princípios religiosos e as raízes zen do chá foram resgatadas.

 

TEA TIME NO RESTO DO MUNDO

Foi a partir do ano 1560 que o chá começa a viajar pelo mundo, conquistando uma multiplicidade de culturas e povos. Apesar de Portugal ter sido o primeiro país europeu a consumir chá (trazido do Oriente pelos seus navegadores!), curiosamente foram os holandeses quem importou o primeiro carregamento de chá da China, algo que aconteceu no início do século XVII, depois de terem estabelecido um posto de trocas comerciais na ilha de Java. Muito em voga na Holanda, o chá depressa circulou para outros países da Europa Ocidental, mantendo-se, no entanto, uma bebida exclusiva dos mais abastados, devido ao seu elevado preço. E foi em 1650 que os holandeses levaram o chá para o continente americano, mais precisamente para a sua colónia “New Amsterdam” (actual Nova Iorque). UMA PORTUGUESA EM INGLATERRA Por incrível que pareça, o chá apenas chega a Inglaterra em 1652 e pela mão da portuguesa Catarina de Bragança. Filha do Rei D. João IV e da Rainha D. Luísa de Gusmão, a princesa portuguesa casa com o Rei Carlos II e apresenta aos ingleses a sua bebida predilecta – o chá – que se torna a bebida mais popular na corte e, mais tarde, no resto da classe alta. A Inglaterra fez a sua primeira encomenda de chá (cerca de 50 kg!) à Companhia da Indía Oriental em 1664.

 

Século XVII


Chá das cinco pode ter sido iniciado pelos franceses. De acordo com o boletim mensal chamado TeaMuse , nos escritos de Madame de Sévigné (1626-1696), um dos escritores da história maior carta sobre a vida na França do século 17:

Éra de facto pouco conhecido, mas depois de sua introdução na Europa no século 17 foi tremendamente popular na França. O Chá chegou pela primeira vez a Paris em 1636 (22 anos antes de ter aparecido em Inglaterra!) E rapidamente se tornou popular entre a aristocracia. . . O chá era tão popular em Paris que Madame de Sévigné, que narrou os feitos do Sun King e seus companheiros  numa das tardes de cavaqueira e jogos de cartas com a sua filha, muitas vezes, mencionou o chá. "Vi o Princepe de Tarente... que bebia 12 chavenas de chá todos os dias ... o que, diz ela, cura todos os males. Ela garantiu que Monsieur de Landgrave bebeu 40 copos todas as manhãs. 'Mas Madame, talvez seja realmente somente 30 ou assim. " "Não, 40. Ele estava morrendo, e o chá trouxe-o de volta à vida diante dos meus olhos." ... Madame de Sévigné também relatou que era uma francesa, a Marquesa de la Sablière, que iniciou a moda da adição de leite ao chá. "Madame de la Sablière tomou chá com leite, como ela me disse outro dia, porque foi a seu gosto. "(By the way, a moda pelos Inglesas pegou)

 

CONSUMO ELITISTA

O entusiasmo dos britânicos pelo chá é algo que ainda hoje se mantém, no entanto, nos primeiros anos de consumo, esta bebida não estava ao alcance de todos porque tinho um imposto tão alto que, em 1689, as vendas de chá quase que pararam por completo! O resultado? Contrabando de chá em larga escala com uma verdadeira rede de “crime” organizado que, infelizmente, adulterava muitas vezes as folhas de chá, adicionando-lhes folhas de outras plantas para fazer “render o peixe”. Este negócio de mercado negro chegou a proporções tal que, em 1784, o primeiro-ministro William Pitt colocou um ponto final na situação ao reduzir o imposto de 119% para 12.5%! De um dia para o outro, o chá tornou-se acessível e o contrabando deixou de ser um negócio lucrativo.

 

Século XVIII


Em 1700, o chá estava à venda por mais de 500 casas de café, em Londres. Beber o chá tornou-se ainda mais popular quando a rainha Anne (1665-1714) escolheu o chá mais como sua bebida da manhã.  Anne foi retratada como uma Tea Drinking, denominação social com tendências lésbicas.


 

 

Durante a segunda metade do período vitoriano, conhecido como a Revolução Industrial, as famílias que trabalham voltavam para casa cansadas e esgotadas. À mesa ficou definido que se iriam servir qualquer tipo de carnes, pão, pickles, manteiga, queijo e claro o chá. 

 

OS REIS DAS INFUSÕES

Depois de em 1834 ter terminado o monopólio da Companhia da Indía Oriental nas trocas comerciais com a China, o chá começou a ser produzido noutros países como a Índia e o Sri Lanka e o sucesso deste investimento revelou-se depressa. Em 1888, a Inglaterra já importava mais chá da Índia do que da China e os números falam por si: em 1851, quando todo o chá era proveniente da China, o consumo anual em Inglaterra era de cerca de 900 gramas por pessoa. Em 1901, e com o chá a ser importado (mais barato!) da Índia e do Sri Lanka, o consumo anual cresceu para 2,800 kg por pessoa! Não havia volta a dar: o início do século XX trouxe, para os britânicos, uma nova forma de estar na vida – com uma chavena de chá sempre nas mãos!

 

A GUERRA DO CHÁ

A Inglaterra teve, ao longo da história, uma influência directa sobre o papel e a importância do chá no mundo… a tal ponto que esta bebida tranquila esteve na base de vários protestos e até uma guerra! O famoso “Boston Tea Party” foi uma resposta directa dos colonizadores americanos à subida do imposto no chá por parte do governo britânico. A manifestação aconteceu no dia 16 de Dezembro de 1773 na doca de Boston, onde os manifestantes destruíram várias caixas de chá pertencentes à Companhia Britânica das Índias Orientais. Mas as coisas não ficaram por aí e os ânimos voltaram-se a exaltar por causa do chá… aliás, há quem diga que foi o “Boston Tea Party” que instigou a própria Revolução Americana. No entanto, importa esclarecer que a Revolução Americana não começou por causa do chá, mas sim porque os colonizadores americanos não tinham a liberdade de adquirir o seu chá onde pretendiam. O resultado desta guerra foi a independência do Império Britânico e a formação dos Estados Unidos da América.

 

 

Século XIX

Segundo a lenda, uma das damas-de-espera da Rainha Vitória, Anna Maria Stanhope (1783-1857), conhecida como a Duquesa de Bedford, foi apontada como a criadora da hora do chá da tarde. Porque a refeição do meio dia tinha-se tornado leve, a Duquesa sofria de "uma sensação de fraqueza (fome)" cerca das quatro horas da tarde.

Adotando o formato de serviço europeu de chá, ela convidou amigos a acompanhá-la para uma refeição da tarde às cinco horas no Belvoir Castle. O menu centrado em torno de pequenos bolos, sanduíches de pão e manteiga, doces variados, e, claro, chá. Essa prática tornou muito popular no verão, a duquesa continuou com este hábito quando regressou a Londres, e enviou convites para os amigos pedindo-lhes para se juntar a ela para beber chá e passear pelos jardins." A prática de convidar amigos para vir para o chá da tarde foi rapidamente adoptado por outras mulheres de relevo na sociedade Inglesa.

 

 

O CHÁ NO SÉCULO XXI

Actualmente, o chá continua a deliciar gerações de povos espalhados por todo o mundo, sendo ainda mais popular do que o café! No início do século XX, e com a invençaõ das saquetas de chá nos Estados Unidos, houve uma “revolução pacífica” na forma como esta infusão era consumida. Porém, alguns adeptos do chá continuaram a preferir a sua preparação com rescurso a folhas e ervas… caso dos britânicos que apenas adoptaram as saquetas na década de 70! Com sabores para todos os gostos e benefícios ao nível da saúde e do bem-estar geral de quem bebe, o chá das cinco vai, certamente, continuar a fazer história!

 

Aqui fica um poema escrito por Edmund Waller (1606-1687) em honra de Rainha Catarina no dia dos seus anos convencendo-a de que o Chá seria uma das bebidas mais apreciadas pela corte....

 

 

Venus her Myrtle, Phoebus has his bays; 
Tea both excels, which she vouchsafes to praise. 
The best of Queens, the best of herbs, we owe 
To that bold nation which the way did show 
To the fair region where the sun doth rise, 
Whose rich productions we so justly prize. 
The Muse's friend, tea does our fancy aid, 
Regress those vapours which the head invade, 
And keep the palace of the soul serene, 
Fit on her birthday to salute the Queen

 

from: http://casadocha.com 

 

Falarei num dos próximos Posts sobre os tipos de Chá que existem e sobre o seu método de Fabrico.

 

 

Bardochefe

 

 

 


Postado por bardochefe às 18:12
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